Sexta-feira, 17 de Novembro de 2006
(39) O ADEUS À LUTA

Ao cabo de todos estes textos perdi-me nos meandros desta luta e não atino se venceu a solidão, a vontade de estar só ou simplesmente houve acordo.

 

Sem saber assim fico, se estou só por coacção ou opção.

 

De qualquer modo, acomodei-me e sentido não faria continuar a bater em ferro frio.

 

Vou em cruzada a outras lutas.

Nos campos de batalha dos preconceitos e loucura

(http://preconceitos.blogs.sapo.pt ou http://notyet,blogs.sapo.pt)

sem lança, sem cavalo e sem aio, conto que finalmente esmoreçam estes meus devaneios.

ATÉ

 



publicado por solcar às 10:24
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(38) SOLIDÃO... QUE SOLIDÃO ?

DIZ O MUNDANO: É O INFERNO

DIZ O ANACORETA: É O PARAISO

 

Aceitemos estas e todas aquelas que preenchem o leque intermédio, das cores brilhantes aos cinzas mais negros.

 Pela condição humana e após o empurrão uterino, estamos sós e sem preparação para o percurso.

Uns herdam a  dádiva de serem  queridos, desejados e amados, outros não tanto.

 Nessa caminhada de pé posto que é a vida, cada um vai colhendo o tipo de solidão que lhe cabe, senão por escolha, no mínimo por atitude, esquecendo que neste teatro o cenário é essencialmente de espelhos a reflectir a prática da sua postura.

 Não sinto a solidão como um malefício, antes quase uma opção, carecendo duma gestão espiritual serena, abrindo brechas onde caibam sentimentos que sem os outros não obtemos.

 Reconhecendo a presença indestrutível da solidão há que saber viver com ela, única forma de adoçar os seus efeitos.

 



publicado por solcar às 10:16
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Quinta-feira, 2 de Novembro de 2006
(37) O ECLIPSE

Estou com problema sério. 
Ao rever os textos, supostamente por mim escritos, reconheço o tema e a ideia, não a forma. Olho com espanto o escrito daquele estranho a trabalhar a minha ideia.
O que quer dizer que, se fizesse daquilo folha branca e voltasse a pintá-la, seria com outras cores.
Acham grave ? Devo ir às medicinas ? Nada de sorrisos, ajudem-me.
Em principio pensei fosse traição da memória, aceitável e lógica causa dos meus 525 anos estelares.
Pensei depois talvez resultasse do facto de escrever, como falo, sendo razoável que as palavras fossem levadas pelo vento, pois na maioria não passam de conversa.
À cautela, homem prevenido vale por dois, e receando seja do chip memória, vou preparando justificação para a desgraça. 
Já que ela nunca vem só, venha no menos acompanhada de algum optimismo.
Logo uma luz se acendeu.
No mínimo ganho duas criticas ao escrito. No inicio a autocrítica, sendo a minha pouco benévola, e mais tarde, em face do irreconhecível documento, a critica dum terceiro, eu próprio, esta à evidencia mais isenta.
Outra vantagem se me deparou de imediato: aos que nos magoam e perdoamos, acresceria o consolo de os esquecer, facto sem ocorrência na memória plena.
 
O verdadeiro problema é que não. Não é do diacho da memória.
Vejam só, jamais me esqueci do número atribuído ao meu Pai na corporação de que fazia parte, e não me venham com tretas de memória recente e passada, pois o mesmo me acontece em casos de ontem e anteontem. Basta que algo me toque... e tocado viro outro.
 
Porque será então ?    O texto está compreensivel ?
Acham valerá a pena escrever tudo isto de novo ?
 
 
 
 
 
 
 
 


publicado por solcar às 15:46
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Quarta-feira, 1 de Novembro de 2006
(36) A RECEITA

Os meus momentos de felicidade tem sido lampejos.

Suponho por isso legitimo ansiar pela plenitude.

Numa dessas revistecas que tudo solucionam, era prometida a conquista da felicidade em dez passos, com o aval de não sei quantos cientistas e testemunho de outros tantos supostamente felizes e decerto também bem pagos.

Céptico por natureza, não deixo porém de estar aberto à mudança.

Esta atitude e a aparente simplicidade das dez tomas do milagroso milongo, umas diárias, outras semanais, embarcaram-me na experiência, entrando desde logo nas tomas diárias.

As duas primeiras seriam canja.

1)      Cortar metade do tempo a visionar TV

Tirei a ficha da tomada. Dada a qualidade da programação, estava a usar para adormecer.  Cá me arranjarei  e, se necessitar, tomo um soporífero.

2)      Tratar duma planta

Isto adoro. O problema é que trato de muitas e fico receoso do perigo da toma em excesso, mas esperançoso que daí mal não venha

3)      Dizer olá a um desconhecido

Teria de sair.  Sem hesitar, aperaltei-me e, todo janota contra o meu uso, desci as escadas.

Cruzei-me na porta com o tal desconhecido.  Franqueei a passagem e disse OLÁ.

A primeira decepção.  O tipo, carranca afivelada, olhou de soslaio, passou. Não correspondeu, nem agradeceu a gentileza.

Sem perca de tempo, saí e deparei com uma mulher ainda jovem.  OLÁ, disse eu, quando se aproximou.  Não olhou, levantou a cabeça e prosseguiu, certamente convencida que eu pretendia um engate.

A adrenalina começou a borbulhar e fiquei especado.

Entretanto aproximava-se uma velhinha com ar seráfico. Afivelei o meu sorriso às comissuras, sem receio de mostrar os dentes que já não são meus e, na aproximação, gorgeei o meu melhor dos OLÁS.

Boa. Parou. Fitou-me compadecida e disse:

                               Tenha paciência. Não tenho trocado.

 

Não tomo mais nada

Desisto de ser feliz por inteiro, contentar-me-ei com os lampejos. Dependendo de terceiros, o grau de dificuldade sobe em flecha.

No entanto sem responsabilidade nem garantia de êxito, estou ao dispor para indicar os restantes sete passos.

Pode dar-se o caso sejam mais “felizes” do que eu.



publicado por solcar às 16:50
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Sábado, 14 de Outubro de 2006
(35)CONVERSAS DE VIDA E MORTE

 Numa dessas excursões gratuitas em volta do Sol que diariamente a Terra nos oferece, podemos observar um leque de maravilhas.         

 

Tudo o que nos rodeia e os seres nossos contemporâneos, são, na realidade, geniais obras-primas.

 

Extasio mas o artista confunde-me! A confusão é legitima na medida em que não me é fácil compreender um criador, supremo artista, destruindo obras tão perfeitas para criar de novo, e recuso o argumento duma lenta evolução. 

 

Porquê o nasces, vives e morres ?   A forma será diversa; a sina a mesma:

 

NASCES  entre  milhões de hipóteses para que algumas resultem e entras na cadeia alimentar;

 VIVES  dependendo dos teus contemporâneos e em regra devorando-os;

 MORRES continuando na cadeia alimentar.

 

E, como se não bastasse, cria o animal humano, o mais animal de todos, concedendo-lhe favores e ferramentas que o fazem supor superior, quando na essência se reduz à mesma condição e tem por acréscimo a sensibilidade que lhe permite elaborar os sentimentos e emoções, e ainda a possibilidade de, por vontade própria, interromper o ciclo imposto, o que nos outros animais, e sem prova cientifica, parece acontecer apenas numa certa espécie de baleia e em algumas aves que ingerem sementes venenosas.

 

É entre esse misto de beleza e dor que balança o homem e os seus valores, superando uns a condição, outros não.  Destes, grande parte, sem saber que nas suas ferramentas tem a chave dos próprios problemas, tenta que o outro compreenda o seu sofrimento, aproxima-se, não tanto para que lhe indiquem o caminho, mais para que aceitem e compreendam a sua natureza de seres em crise e, se tal não acontece,  o ponto de ruptura é atingido e a saída do ciclo da vida pode surgir como solução única.

 

A ajuda atempada, em resposta ao seu grito, evita o  sedimento de crises sucessivas mal resolvidas que os poderão conduzir à intenção suicidária e sua concretização.

 

Muitos fomos ao fundo do nosso poço e muitos saímos, sempre com feridas por sarar.   Poderia fazer aqui o relato duma viagem ao fundo do meu e não o faço por razões várias, algumas capitais.

Receio encontrar lá em baixo a serenidade que me acomode, sem regresso, e teria ainda de me despir demasiado e o frio vai de rigor.  

 

Além disso, se aqui chegaram,  já leram 397 palavras e  não quero abusar da vossa paciência.                                                                     

                                                                             ATÉ



publicado por solcar às 12:48
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(34) OS SÁBIOS

OS SÁBIOS

 

Privei com dois cientistas tão diferentes e tão semelhantes que não resisto a recordá-los.

Ambos ambiciosos; ambos tristes; ambos esqueciam ser mortais.

Um julgava saber tudo.

Ansioso, continuava  mergulhado na amargura  da busca do conhecimento.

O outro julgava nada saber.

A ânsia era semelhante.

Nessa busca incessante devoravam sofregamente toda a fruta do pomar da vida, ignorando o valor do singelo bago de uva quando lentamente saboreado. 

Assim passeavam-se perto da vida sem a roçar, impossibilitando a absorção de qualquer centelha de felicidade.

Supunham andar de olhos bem abertos e não viam na realidade o essencial.

Sabiam descrever cientificamente a árvore, sem usufruir da frescura da sua sombra ou escutar os segredos recontados pelas folhas e ramos à passagem da brisa e até o piar da ave jovem esfomeada no seu ninho. Não conheciam tão pouco o grito de dor quando os lenhadores a abatem a golpes de machado e, talvez envergonhados do acto, tentam abafar exclamando “madeira” (timber),  a reconhecer ao gigante, mesmo ferido de morte, a capacidade de luta.

Descreviam cientificamente as formigas e os homens, não descortinando afinal que os homens se deslocam como as formigas numa correria em todas as direcções, para cá e para lá.  Só que as formigas sabem para onde vão e os homens nem tanto. Além disso elas deixam o caminho limpo e os homens, por sistema, conspurcam-no

Compadeci-me, como sempre me compadeço quando deparo com alguém que não consegue criar laços. Os laços são essenciais na vida, ténues ou mal apertados que sejam.

Sempre me fizeram falta, cultivo-os quando vale a pena. Amparam a minha solidão. Não passo sem eles. Mas para criar laços é necessário saber cativar (carinho e humildade).

Atenuar aquela situação seria trabalho para a Virtude. Diz o povo que é no meio que ela está.

Perguntei-lhes se a aceitavam. Foram orgulhosos, rejeitaram.  Ficaram sós.

Afinal eram néscios e, como mortais que são, um dia sairão sem as alegrias da partilha



publicado por solcar às 11:45
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Sábado, 7 de Outubro de 2006
(33) O LABIRINTO

O ENCONTRO É FÁCIL  E O DESENCONTRO FACILITADO.

PREFIRO LABIRINTOS COM MAIOR NÍVEL DE DIFICULDADE.



publicado por solcar às 14:17
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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2006
(32) DIA DA DULCE

 

 A ESSE SER BONITO QUE É A DÊDÊ !

Neste dia, com tanto significado para ti, tenho estado a magicar quem merece os parabéns.

Primeiro pensei na tua Mãe que decerto bem os merece por ter gerado um ser como tu.

Pensei depois que só isso não seria totalmente justo.  .  Há em ti muito esforço para seres o que conseguiste ser com aquilo que de ti fizeram.           E também pela tua generosa dádiva aos outros.

Tenho de resolver, e sendo o mérito comum, vai um grande abraço para tua Mãe e, para ti, os três beijinhos do costume do teu amigo de sempre.



publicado por solcar às 15:53
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Segunda-feira, 25 de Setembro de 2006
(31) MOSCA (II)

Sim, este é o meu olho !

Hoje, dia de saída,  não estou no emaranhado pesadelo, mudado em grande mosca e na ansia de voar além das grades.

E, com agrado e sem menosprezo pelo magnifico olho da mosca, vou apontar-lhe um senão.

Da paleta universal não retirou o matiz e, o repetir das imagens, não garante vantagens.

 Se fosse mosca, calcula, nem se me dá na lembrança, quando olhasse para ti, meu amor, a ver-te sem cor, repetida, como névoa esbatida de quem anda fugida.

Quero ver-te toda inteira, nesse teu jeito de ser, com esse brilho nos olhos onde verdejam os prados e o lago de água mansa onde navegas na esperança.

Como podia encontrar-te, repetida e sem cor ?

Mergulharia na dor de perder o teu amor!

E, depois, outro senão.

Será que a mosca tem coração ?

Lá ter terá,  certamente.

E cabe nele a ternura, a compaixão, o amor e até talvez a loucura ?

Na dúvida, digo que não.



publicado por solcar às 10:33
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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006
(30) SINAIS DOS TEMPOS

Dizem que o filósofo disse:

Penso, logo existo.

Eram outros os tempos. O tempo, generoso, concedia tempo no tempo e o homem era porventura menos ambicioso.

Pesem embora as vicissitudes de que todas as épocas são prenhes, o homem permitia-se parar, rodear o erudito e escutar o seu dito ou, mesmo que de silencio se tratasse, meditar, atapetando o caminho da reflexão.

No tempo de hoje, e em abono de suposto conforto, o sistema agilmente se perverteu e no primado da busca do supérfluo, o essencial é secundário.

Tu tens ?  Eu também tenho de ter... não importa o que seja.

Os próprios eruditos, creio que existam alguns, enviesam e aproveitam-se da credulidade dos seguidores na peugada do mesmo objectivo.

Assim nestes tempos de verdadeira dúvida na busca, de insegurança pessoal, haveria

necessidade de converter o dito

Viesse o filósofo a este tempo e decerto aconselharia::

Penso logo hesito.

E aos verdadeiros pessimistas:

Penso logo desisto.



publicado por solcar às 10:33
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Sexta-feira, 8 de Setembro de 2006
(29) MOSCAS

Deixem-me adivinhar ! Bichinho chato e nojento!

Pois, pois, eu também pensava assim e ao ouvir o zunido para a guerra me armava (pufs-pufs e mata moscas), sabendo logo à partida estar de causa perdida.

Mas um dia lá cismei, da arma passei à lupa e na pesquisa mergulhei.

Miles de espécies, miles de formas, miles de cores.

Belo equipamento, olhos multifacetados, máquina de voar completamente computorizada e com soft a garantir perfeita e segura acrobacia, grande estabilidade no poiso, graças ao número de patas e sua fofura e ainda, pasmem, extrema elegância e finura na alimentação, sempre sugando, pela palhinha, a matéria que os seus pés gustativos aprovam. Completam, logo,logo, com apurada higiene íntima.

Predadores aos montes, aéreos e terrestres e, nestes, lugar cimeiro às aranhas e seus engenhos de pescar

Criar, destruir, criar, destruir e por aí fora...

Todavia, e malgrado este desbaste, a capacidade e rapidez reprodutiva bate todos os recordes, deixando inibido qualquer enfatuado macho latino. Os ovos, depositados em matéria orgânica a decompor, eclodem passadas 24 horas.

Este porventura o segredo da sua capacidade de fuga à extinção

Além disso elas ganharam lugar à nossa mesa, não só planando e pousando na comida, mas também integrando o prosear:

·         pareces uma MOSQUINHA morta

·         estavas como MOSCA no mel

·         come a sopa, olha a MOSCA

·         o meu chefe hoje estava com a MOSCA

·         que raio de MOSCA te picou

 e até na política se metem.  Ah,Ah ?? Não se riam, pois isto afirmo sem rodeios; a experiência é pessoal e a fonte fidedigna. Foi o caso que nas últimas eleições, cumpridor e no intento de acertar, mas indeciso no voto, pedi conselho a aclarado técnico na matéria. Estivesse eu descansado, respondeu, votasse até de olho fechado e plantasse a cruz aos fados da sorte, convicto ele estava que a trampa era sempre a mesma, só as MOSCAS  mudavam.

Dizem ser o dito corrente, só que ao corrente eu não estava e, embora reconheça às moscas esse mau hábito, tenho aqui de confessar, ser a metáfora desagradável para elas.

Aprendi que são vitais, esclarecido que fui.

Sem moscas a terra estaria coberta por plantas e animais mortos.

Tenho de fazer agora uma sutura, por estar decerto a abrir feridas nos poucos leitores dos meus escritos, tendo alguns já comentado a minha aparente solidão.

Para já os descanso, em solidão eu não estou, tenho o quarto cheio de moscas.   Em vez de rede mosqueira, vejam só, gradearam a janela. De erro crasso se tratou, quase cabe minha cabeça e as moscas bem transitam.

Aos leitores ainda atentos, reitero as minhas desculpas, mesmo sem ser meu intento tenho aqui de terminar.

Chegou o meu controlador. Topou que estou com a MOSCA e atascou-me dose dupla para ficar a dormir.

Dormir ???  Claro seria óptimo, não fossem os pesadelos.

Logo fico enorme MOSCA imune aos predadores e a esvoaçar pelo quarto.

Tentativa malograda de passar aquela grade... e voar em liberdade.

 

 



publicado por solcar às 11:38
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Segunda-feira, 14 de Agosto de 2006
(28) DE CABEÇA PERDIDA (I)
O Eduardo nunca fora de grandes ou continuados amores.
Cerebral, supervisionava.
Dizia ele, pisava levezinho não fosse atolar-se em areias movediças.
Dizia-lhe eu, para não brincar com o amor, sobretudo o dos outros.
Mas ele petiscava amor, alheio ao perigo da intoxicação.
Era no fundo um poeta !  Amava o amor !
Idealista, na busca do improvável, diria do impossível.
Disfarçava as suas ilusões em banhos de lógica e cinismo. Sofria...
Amante era do belo e passava largas horas em contemplação.
Sorte ou azar o seu, certo dia, refastelado numa esplanada, admirava o sol, nu e alaranjado,  no horizonte a  mergulhar em lençol azul cristal.
Alguns flocos de nuvem, tal espuma, emprestavam vida ao mergulho.
Minutos ou eternidades depois, entre essa maravilha e os seus olhos, estacou uma linda mulher, sorrindo.
Conheço o Eduardo. Sorriso retribuído, convite à mesa, uma bebida, curiosidade tremenda em saber, condição essencial, se além da beleza aparente, ela seria também uma mulher linda.
E, de blá-blá em blá-blá, o Eduardo estarrecia pelo imprevisto. Pensamentos, ideais, afinidades preenchidas. E sobretudo perfeita beleza interior.
A Diana, de seu nome, mulher com capacidades e qualidades a permitir-lhe, finalmente, pisar qualquer tipo de areia, afoito e sem receios.
Bebidas esgotadas, disse-lhe um “não fuja” e foi ao bar já ansiando ao retorno. 
Passados alguns minutos de impaciência voltou à mesa e à desilusão.
O sol não deixara rasto, a água era agora azul negro.
A Diana desaparecera !
Perdeu a cabeça...
E desde então, de cabeça perdida e sem ver, ali vai com frequência, no mínimo para tentar separar a realidade do sonho.
 
 
 


publicado por solcar às 10:33
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Domingo, 30 de Julho de 2006
(27) O TESTAMENTO

E ali estava eu com o pé esquerdo pousado naquele belo e fofo solo azul celeste, polvilhado de algodão.

Êxtase e surpresa, não tanto pela inclusa sugestão da morte, mais pela benevolência da paradisíaca sentença

Todos vamos cometendo erros na travessia e temeroso andava eu pelos fogos do outro lado, que com o calor não me dou.

Logo me passou na mente a ideia peregrina de, aproveitando o momento, lá pousar o outro pé e dar uma espreitadela.

Nessa querença e com crença,  meti o pé direito e no consolo de o pousar... acordei !

Acordei aos pés da cama virado.  Belisquei a minha coxa e doeu.  Era tudo encenação e travessura de sonho bom.

Dei a volta completa e, paciente, aguardei o regresso da alma que, de seu hábito, tardava a voltar dos devaneios nocturnos para tomar conta deste corpo e prepará-lo para novo dia que de sol era, já alto e vestido a rigor.

Não deixou de ser belo o sonho enganador. Passe a lisonja da absolvição, não deixou também de ser aviso da certeza do evento.

À cautela, e sem descuido, irei lavrar testamento dos dois lotes que me restam:

 

-          o dos bens que a natureza me emprestou, usei moderadamente e serviram o percurso,vou legar a quem deles cuidar, recomendando o bom uso

-      o do amor que me deram, encheu meu coração e deu luz ao tal percurso,  esse, que me desculpem,  decerto vou precisar e comigo vou levar

 

 

 



publicado por solcar às 15:21
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Sexta-feira, 9 de Junho de 2006
(26) AS PORTAS E A PORTA

Estranho amigo do peito aquele.
O Ricardo era assim.
Metido consigo, cozinhava as suas dores em lume brando e partilhava comigo o cozinhado.
Sofrimento e prazer, como sempre, tudo ao molho.
A olhar a bica e os pasteis de nata, filosofávamos sobre o aparente sem sentido do sentido da vida.
Filósofos de água a ferver, como ele dizia.
Naquele dia um lampejo de entusiasmo minava-lhe o semblante por regra sisudo. 
Espanto o meu, habituado que estava à sua fronha cerrada.
Logo confessou e descodificou.
Era para ele a vida um grande jogo.
O prémio assegurado: a morte !
O jogo era iniciado perto da grande arena. As regras, simples e fiáveis. Oferecidas eram imensas portas, correspondendo a outros tantos percursos. Concluído o percurso ou em qualquer passo do mesmo, podia o jogador regressar à arena e escolher nova porta, nova caminhada, sabido porém que uma delas era a última, a porta maior, a sem retorno.
Tão diferente e tão semelhante aos romanos jogos ali então em uso. Nestes a morte resultava de violência imediata que alguma força ou perícia podia apenas adiar.
No jogo do Ricardo, as dores e o sofrimento porventura estariam lá. Seriam contudo mitigados por uma ou outra centelha de felicidade emprestada de algum dos percursos.
Em confidencia me disse que andava nisto há muito, usara e abusara, impetuoso, sem hesitar na escolha, nem sequer temido ou desejado a porta grande.
Saira hoje do último percurso e decidira abrir outra.
Poucas restavam.
Após tanta caminhada, de sucesso e insucesso, de ganho e perca, de amor e ódio, gostaria de saber, dizia ele, qual delas era a porta grande.
Estava cansado. Apesar da pedra pisada fora privilegiado, vivera com intensidade e bebera de muitas fontes.
Não comentei tanta excitação e entusiasmo.            
Uma ligeira brisa trouxe o silencio, acompanhado de algumas estrelas. Aceitaram o convite para a nossa mesa. Entre todos, sem comentar, fomos trocando as nossas verdades.
Algum tempo depois o Ricardo, sem falar e com estrelas nos olhos, deu-me um abraço emotivo, beijou-me, e foi... 
Ele era assim.
Olhei, triste, os pastéis de nata que sobravam.
Sou guloso, comi-os.
Não tinham gosto, antes alguma amargura.
 O Ricardo não voltou mais...
                                                                                                           
 


publicado por solcar às 10:28
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Domingo, 14 de Maio de 2006
(25) ROSA

 

A Rosa foi em menina, botão de encantar.

 

E assim foi, sem espanto,

ficando mais bela a desabrochar

Sonho compulsivo

metida consigo, ao sol queria luar,

Gostava da noite quieta e calma

e desse luar que lhe banhava a alma.

 

Depois já mulher, por desgosto de amor,

perdeu-se na noite e no sonho vivido

E a desfolhar

Por lá tem andado

no labirinto do seu triste fado

Tão perdida que está já pensou em voltar

Encontrar o caminho e ao sol retornar

na esperança vã do passado encontrar.

 



publicado por solcar às 14:24
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Terça-feira, 2 de Maio de 2006
(24) VOAR

 

PARA LHE VER O ROSTO

VOU TENTAR VOAR

DEPOIS VOLTO

Como prometido, voltei.

Não sendo voar tarefa de somenos, foi todavia o esforço compensado

Cheguei ao topo em plena noite de luar. Essa estranha força e a ligeira brisa, emprestavam brilho e beleza à moldura verde daquele rosto. Aqui e ali pérolas de orvalho.

Porque choras ? Perguntei.

Confidenciou-me ser a primeira vez a receber visita humana não hostil e tão próxima. Havia visto outros, ao longe, montados em estranhas aves, lá onde não se enxerga o rosto.

Confidenciou também a dor da sua imobilidade, quebrada tão somente pelos fortes ventos. E foi com sonho e tristeza que recordou os tempos em que, frondosa, abrigava os ninhos e as aves, seu deleite de então. Confiou-me assim a sua solidão e o sonho de poder voar, justificando a forma estranha do seu corpo pelo esforço das vãs tentativas de o fazer.

Trocados os nossos pesares, aconchegámo-nos num doce e longo silencio.

Logo, logo, passada essa pequena eternidade, no afago da despedida, senti que se aproveitava do orvalho para disfarçar o pranto e já no solo deixei o meu abraço naquele tronco sofrido e rugoso, forte e sensível.

Prometi voltar para continuar a ligar a sua solidão à minha, quiçá ficar.

 



publicado por solcar às 10:14
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Segunda-feira, 24 de Abril de 2006
(23) O COAXO

Sorrateiramente, do repleto e variado cofre da mãe natureza, saquei esta pequena jóia, na esperança de poder estabelecer algum contacto.
Não sei coaxar. Aprendizagem a inscrever num imenso rol de prioridades, porventura a não cumprir, não tanto por falta de interesse, mais pelos limites impostos pela vida.
E ali ficámos, cada um no seu canto, expectantes.
Ela aparentemente serena, confiante não tanto.
Imobilidade, passividade e mutismo
Decorridos alguns minutos resolvi devolvê-la ao seu charco.
Então, e enquanto se abrigava na terra, coaxou.
Um misto de alivio e desabafo, tipo
“Safei-me. Os humanos são loucos mas nem todos violentos.”
Na dúvida, decididamente, tenho de aprender a coaxar.
 


publicado por solcar às 16:05
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Sábado, 22 de Abril de 2006
(22) A VERDADE NUA

O conhecimento da verdade é, em princípio, do interesse colectivo, levando muitos à consulta da bola de cristal, pese embora o risco dela não ser tão límpida e transparente quanto sonhada.

Por mim, como muitos outros, permito que a minha verdade e a certeza andem por aí de braço dado, porém acompanhadas da dúvida e seu benefício, cujo serviço se mostra de grande utilidade ao permitir sensatez e comedimento nas avaliações.

E isto porque penso ser indispensável a chancela da dúvida, mesmo se a verdade se reveste de aparente autenticidade.

Vejam:

Há dias, grande ajuntamento à beira da muralha, alguém se debatia, clamando por socorro. Um chapão na água e o sinistrado é salvo.

Quase todos aclamam o abnegado herói.

Duas pessoas porém conheciam uma verdade diferente.

O salvador…  e eu que o empurrei.

Insisto.   A verdade raramente se desnuda !



publicado por solcar às 14:56
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Sexta-feira, 7 de Abril de 2006
(21) FOLHA MORTA
   

abril 07, 2006


1a.jpg

DIA A DIA, NO PRESENTE 

NUMA FOLHA DO FUTURO

VOU ESCREVENDO O MEU PASSADO

UM DIA ESCREVEREI:      NADA

FICA A OBRA INACABADA



publicado por solcar às 21:32
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(19) A GARRAFA

garrafa cortada.jpg 

Aviso: contem elixir da vida (0% alcool)

Dilema: estará meia cheia ou meia vazia ?


Meu amigo, três motivos me deste para este artigo:

        Os teus posts
        A teoria da garrafa 
        O teu comentário à missão impossivel

Misturei, agitei, bati e...  atrevi-me: provei.


      Pergunta a que me soube! No fundo é uma mistura de sofrimento, dor, amargura, afastamento, presença, serenidade e luta, repouso e agitação, a que houve o cuidado de aplicar uma boa dose de faz de conta e, porque não, de afecto, amizade, amor, para que borbulhe quando ferve.

       E não me parece dificil encontrar tudo isto, e muito mais, num único ser.  Antes de sermos empurrados para esta colónia penal, somos devidamente abastecidos e apetrechados não só para utilizar toda esta panóplia de ferramentas mas também para sentir os efeitos do seu uso. E o uso deste arsenal se imoderado pode destruir, manter, endurecer ou...

       Cá por mim, sou guloso, tenho-me servido de quase tudo, e acumulo com alguma humildade, o que, apesar disso, me deixa a dúvida quando olho à volta.

       O sentimento é de egoismo ou de privilégio ?  Afinal neste mar de sofrimento, pese embora o mau piso e as pancadas sofridas, ainda aceito e vou mantendo a cabeça fora de água, De certo, e apesar de, sou privilegiado!

       Será, como dizes, que ainda me resta a esperança de ser ouvido (lido) ou aquilo é apenas o resultado da tal humana condição e da necessidade de conseguir companhia para o meu grito ?


 A dúvida é mais uma das ferramentas que vamos usando.


 Ah, e já agora, a garrafa para mim, e hoje, está meia cheia.



publicado por solcar às 20:22
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(20) A BESTA


DINO.360.jpg


Alguém me chamou de besta ! 

Meses antes via em mim um ser bonito (leia-se sensivel).

Foi útil a intenção de raiva ou insulto.

Permitiu questionar-me: 

Afinal somos aquilo que pensamos ou gostariamos  de ser ou somos apenas validados pelos outros nos seus espelhos mutantes?



publicado por solcar às 20:18
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Sexta-feira, 24 de Março de 2006
(18) MISSÃO IMPOSSIVEL

estaagua.jpg

Não resisti a colocar esta imagem. Não terá a ver com o texto.

É contudo bela e repousante e no seu movimento assemelhará o paraíso onde decorre a pequena história de autor desconhecido, colhida num livro de humor.

 "S.Pedro acolheu uma boa alma que de imediato lhe pediu ocupação.

Toma esta colher, meu filho, e vai despejar aquele oceano.

Passados cinco mil anos a alma, missão cumprida, solicitou nova tarefa.

Toma este garfo, meu filho, e vai aplanar aquela montanha.

Sete mil  anos após, cumprida a missão, aquela alma rogava nova tarefa.

S,Pedro, já agastado, exclamou: Olha JESUS, se queres trabalho para toda a eternidade vai à Terra e tenta espalhar o amor entre os Homens."

 Sorrimos, encerra verdade e tem graça !   Mas que é triste, não resta dúvida.

 



publicado por solcar às 12:30
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Terça-feira, 14 de Março de 2006
(17) AOS AMIGOS DO CORAÇÃO

jardim certo.jpg


A MINHA ALMA É O MEU JARDIM



publicado por solcar às 15:23
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Segunda-feira, 13 de Março de 2006
(16) SAUDADE

Chuva.jpg 

CHOREI TANTO... TANTO... TANTO...

SEM QUEIXUME, SEM LAMENTO,

SEM PRANTO, SÓ SENTIMENTO

CHOREI TANTO... TANTO... TANTO...

QUE SE A MORTE ALI PASSASSE

TALVEZ ATÉ ME LEVASSE



publicado por solcar às 09:36
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Domingo, 12 de Março de 2006
(15) A MASCARA

mascara baixa.jpg

  Se observarmos uma criança nos seus primeiros anos de vida deparamos com a possibilidade de espreitar a pureza da alma  nessa janela aberta do seu corpo.  O gesto, a postura, a lágrima e o sorriso, transmitem, sem subtilezas, a verdade do que ali se passa.  O corpo é então o verdadeiro espelho da alma!

 A vida/morte e o seu faz de conta, logo se apoderam dessa candura e lhe acrescentam  servidões próprias do existir em  relação.

 Cada um de nós cedo é presenteado com um baú de mascaras para uso frequente, sobretudo nas ocasiões em que o sentimento não acompanha a circunstancia.

 Decerto reconheço alguma utilidade na utilização duma ou outra mascara que vou evitando usar, pese embora os amargos de boca que a sua não utilização com frequência acarreta.



publicado por solcar às 19:28
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(8) 0 FOGO DA VIDA

fogonovo.jpg 

Toda prenhe de candura, tímida chama, calor

Só enlevo, só ternura, a crepitar no amor

    É depois a chama forte numa louca fantasia

    Há desprezo pela morte, há ilusão, há magia !  

    Vermelhos e amarelos, de braço dado a saltar,

    Tão ingénuos e tão belos, numa volúpia sem par.


E em tanto movimento, nasce o aviso da queda

Que faz ouvir o lamento, no pico da labareda


     Logo, logo, a amargura, e por vezes tanta dor,


     Vão sufocar a ternura e os momentos d´amor


Baixa o fogo e a herança, são brazidos em modorra


Jaz ali a falsa esperança  Talvez viva !  Talvez morra


         Deste breve carnaval, resta a cinza.  Vitualha !

      E o fumo, seu ritual, que a suave brisa espalha



publicado por solcar às 19:00
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(14) OS NUS

arvorecerta.jpg

 E OS MORTOS



publicado por solcar às 18:25
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(13) FELICIDADE

arauca.jpg

 

Num daqueles dias em que corpo e alma não se entendem, vagueava a tristeza por aí, quando algo insólito quebrou o silêncio. Longo trinado chamou minha atenção! Olhei e, ali, a sete metros de altura descortinei um bico amarelo a adornar uma cabeça preta de olhinhos postos em mim, expectante como quem pede resposta..

 Foi grande a tentação e, no melhor que pude, respondi, forma desajeitada e modesta, a pretender imitar tom semelhante.

 Trinado cá, trinado lá, ali estivemos, filosofando diferenças e semelhanças, tempo, sem tempo, afinal companheiros na representação do faz de conta da vida, sincero e tranquilo.

 Em dado momento um bater de asas e o meu interlocutor lá se foi, numa mancha negra esvoaçante, turbilhão efémero de vida, na busca de outros destinos outros encantos, outro alguém que também o compreenda.

 Uma pequena chama de felicidade havia permitido descolar-me de problemas impostos na busca do supérfluo, quando o essencial morava mesmo ao lado.

 Raro nos lembramos que nus nascemos e assim partimos e a verdadeira felicidade poderá ser, aqui e ali, a partilha destas breves eternidades por empréstimo e sem posse.



publicado por solcar às 15:48
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Quinta-feira, 9 de Março de 2006
(12) REPOUSO

21.jpg

 ANSIA DE ENCONTRAR PAZ

NÃO DAQUELE QUE JAZ

ANTES NA SERENIDADE

                                              DA ETERNIDADE



publicado por solcar às 11:46
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(11) A LUTA

aranha 1.jpg


OUTRA LUTA SOLITÁRIA PELA SOBREVIVÊNCIA.


Os humanos agem, habitualmente, de forma diversa. 


Complicam.


Subjugam, criam, abatem, retalham.


Ao devorar requintam.


O prato, o talher, o vinho certo, a especiaria, o molho.


Também habitualmente fazem-no em grupo. Sorriem.


Na essência, pese embora disfarçada de poder, a mesma trágica servidão.


 



publicado por solcar às 10:49
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Terça-feira, 7 de Março de 2006
(10) DO CORAÇÃO

corte arv.10cm.jpg

 Ao Luís

No caír da folha.

Ajudou-me a sentir a solidão dos outros e assim situar a minha.

Em menino o coração era para mim algo que no meu peito fazia pum-pum, com mais ou menos violência, segundo as minhas correrias.

Já então, como agora, era também coisa que tinha a ver com mimos e afectos.     Adorava o xi-coração.       Era tocado.

Depois, e no percurso, aprendi que, a final e na sua essência, é um músculo valente, ou um valente músculo, capaz e responsável pela distribuição metódica e regular do fluido vital.

Mas o sonho de menino não foi de todo desfeito pelas agruras do caminho e do conhecimento. 

A subtil consciência (talvez num arremedo de gratidão) empresta e atribue ao coração toda uma panóplia de emoções, fazendo dele fiel depositário da ternura e do amor, do sacrifício e da entrega. 

É normal ouvir dizer que um ser tem bom coração, quando em prática de boas acções, sendo as más relegadas para o fígado (então o sujeito terá maus fígados).  Também verdade parece que esta quimera não será igualmente vivida por todos. 

São privilegiados os seres que no fosso do sofrimento mantém o espirito livre, tentando substituir por ternura, compreensão e amor a nefasta raiva, desespero e ódio.

Esses vão encontrar no coração o sentido do sem sentido da vida. 

     Perguntarão vocês o que tem isto a ver com o LUÍS.

                                    Creiam que muito!

O Luís é um dos seres, que de há muitos anos para cá, semanalmente, me foi tocando e por tal tem lugar cativo quando no meu coração se canta o hino dos afectos.



publicado por solcar às 18:38
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Quarta-feira, 1 de Março de 2006
(9) OS OUTROS

Se me fosse permitido separar a humanidade em duas partes, os loucos e os outros, e, por modéstia, me colocasse no sector dos outros, restar-me-ia a angustia de não saber o que eles sabem que eu não sei.



publicado por solcar às 11:30
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2006
(7) OS AMIGOS

Creio que são como algumas estrelas.

Mesmo não se vendo, estão lá.

Fico preocupado com as estrelas que, embora aparentes, já não existem !



publicado por solcar às 11:07
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(6) O ENCONTRO


Cruzei-me há dias com uma formiga e pedi-lhe opinião sobre os humanos.

Alguns são piores que a cigarra, foi a resposta.

Sem argumentação, e triste, agradeci e segui caminho. 



publicado por solcar às 10:56
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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2006
(5) O SONHO

Vão longe esses Natais de sonhos realizados.

De dia, e por liberalidade dos Sapadores Bombeiros, um embrulho de cores brilhantes, ciosa e cuidadosamente sobraçado e, à noite, a magia duma repleta chaminé dum familiar abastado, onde o meu sapato colheria outro modesto presente.

Sempre simples e modestos mas eram o prémio do sonho, sonhado e afinal realizado entre as diversas fantasias do faz de conta.

Ao relembrar, tentei recrear, procurei o fato, o gorro, as botas, antecipadamente deixara crescer a barba, branca e natural como convinha, e tentei... tentei sem exito alcançar as renas.

Outro sonho, como tantos outros que não vou realizar.



publicado por solcar às 15:21
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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2006
(4) SOU...

 

 SE ME AMAM...   SOU ALGUÉM

SE M´ ESQUECEM... SOU NINGUÉM



publicado por solcar às 14:28
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2006
(3) OS ESPELHOS

 

Sem alma e frios, fiéis e constantes, se não concavos ou convexos. singularmente diferentes dos humanos.

Estes, por vezes, quando nos cruzam, e num arremedo benévolo de iludir o óbvio, pensam (estás mesmo em baixo) e traduzem (que óptimo, o que andas a tomar ?).

Os espelhos não !... não nos iludem as expectativas, directos e concisos, são bons companheiros e, ocasionalmente, arrastam-me ao monologo.

Ultimamente matuto num insólito senão.

Quando os fito, e pese embora sinta em mim o menino que porventura fui, não o descortino na imagem devolvida.

Será que não cheguei a ser menino ?



publicado por solcar às 15:51
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2006
(2) E O AMOR ?


Alguém que me ama, na sua limpida e candida ternura, perguntou se não me sentia triste por viver só.

Respondi que não estava só porque a guardava no meu coração !



publicado por solcar às 11:43
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Sábado, 28 de Janeiro de 2006
(1) VERDADEIRA SOLIDÃO

 

Li que Chico Buarque, disse em entrevista:

"A verdadeira solidão é quando nos perdemos de nós próprios e em vão procuramos a nossa alma."

E acrescenta que

"Solidão não é falta de gente para conversar, namorar passear ou fazer sexo... isso é CARÊNCIA.

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... isso é SAUDADE.

Solidão não é o retiro voluntário a que nos impomos às vezes para realinhar os nossos pensamentos... isso é EQUILIBRIO.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe convulsivamente... isso é um PRINCIPIO DA NATUREZA.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... isso é CIRCUNSTANCIA."

E poderiamos talvez acrescentar tantas outras solidões que afinal tem outro nome e sentido !

Mas a verdadeira... essa parece-me a queda num poço sem fundo !



publicado por solcar às 11:42
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