Quinta-feira, 2 de Novembro de 2006
(37) O ECLIPSE

Estou com problema sério. 
Ao rever os textos, supostamente por mim escritos, reconheço o tema e a ideia, não a forma. Olho com espanto o escrito daquele estranho a trabalhar a minha ideia.
O que quer dizer que, se fizesse daquilo folha branca e voltasse a pintá-la, seria com outras cores.
Acham grave ? Devo ir às medicinas ? Nada de sorrisos, ajudem-me.
Em principio pensei fosse traição da memória, aceitável e lógica causa dos meus 525 anos estelares.
Pensei depois talvez resultasse do facto de escrever, como falo, sendo razoável que as palavras fossem levadas pelo vento, pois na maioria não passam de conversa.
À cautela, homem prevenido vale por dois, e receando seja do chip memória, vou preparando justificação para a desgraça. 
Já que ela nunca vem só, venha no menos acompanhada de algum optimismo.
Logo uma luz se acendeu.
No mínimo ganho duas criticas ao escrito. No inicio a autocrítica, sendo a minha pouco benévola, e mais tarde, em face do irreconhecível documento, a critica dum terceiro, eu próprio, esta à evidencia mais isenta.
Outra vantagem se me deparou de imediato: aos que nos magoam e perdoamos, acresceria o consolo de os esquecer, facto sem ocorrência na memória plena.
 
O verdadeiro problema é que não. Não é do diacho da memória.
Vejam só, jamais me esqueci do número atribuído ao meu Pai na corporação de que fazia parte, e não me venham com tretas de memória recente e passada, pois o mesmo me acontece em casos de ontem e anteontem. Basta que algo me toque... e tocado viro outro.
 
Porque será então ?    O texto está compreensivel ?
Acham valerá a pena escrever tudo isto de novo ?
 
 
 
 
 
 
 
 


publicado por solcar às 15:46
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